lunes, 21 de diciembre de 2009

Nuevos horizontes creativos

Hoy vislumbro nuevos horizontes creativos. Venimos de conocer un poco más a Pessoa, pero hasta llegar ahí el viaje es largo. No pretendo llegar tan lejos, y aunque no sé hasta dónde soy capaz de llegar, hoy inicio mi andadura creativa desde abajo del todo, con toda humildad, olvidándonos de que hemos tratado aquí alguna vez a Shopenhauer o de que hayamos mencionado alguna vez de pasada a Wittgenstein. Vamos a intentar hacer cima, pero partiendo del campo base...

Creo que soy capaz de componer yo sólo mis propias canciones, e intentaré desaforadamente ser capaz de poner título a mis propias canciones, por difícil que resulte; creo que puedo:



Podría hablar de si soy más raro que un perro verde o tan normal como una rana verde, y reivindicarme y disfrutar de mí mismo como hace Kermit:



O podría hablar de si soy bueno, malo o peor, de si hay un monstruo en el espejo o no:



Y al final, terminando de montar este campo base,intentar bailar yo mis propias canciones, aún a riesgo de faltar al respeto con esto a los demás (de la última vez aún hay gente que no me habla), con mayor o menor éxito, pero sólo, sólo, de una manera exagerada que manifieste claramente cómo hay que tomarse la vida:



Creo que dejo así, de esta manera tan sobria y tajante, clara y firmemente asentadas las bases desde las que partiré en pos de nuevos horizontes creativos...

miércoles, 16 de diciembre de 2009

El invierno y Pessoa, Pessoa otra vez.

Me he vuelto a topar de golpe contra el invierno; cosas de la vida moderna. Ayer revisión en el cardiólogo, según parece, todo cosas por tener demasiado corazón, dejémoslo así, que me gusta cómo suena. Pero hoy yo lo que estoy es cabezón (entiéndase estúpidamente trascendental) y si el médico me viera esto (o pudiera observarse en un Holter emocional, valga el susto) me diría que yo lo que necesito es un poco de Pessoa/Alberto Caeiro. Y aunque queda en portugués, como realmente suena bien, aquí van algunos versos, los que mejor me van (entiéndase que me esfuerzo por ajustar la dosis del medicamento):

[...]

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

[…]

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

[…]

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

[…]

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

[…]

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo

[...]